Friday, November 25, 2016

Das Esferas



Que a vitória dos fascistas
não me faça amarga a alma.
Quero esquecer, quero sair
de todas as esferas
onde a falha percepção
do fato dita a direção.
Não é um desejo fácil, vês
agora mesmo estão lá dentro
se atacando com palavras
Tolos…
Tudo isso por causa de uns vinte ou trinta
que não nos deixam viver em paz.
Querem o que fazemos, o que produzimos,
nosso dinheiro que nunca foi nosso.
Iludem-nos, deixando-nos carregar
pequenas quantias de um lugar a outro.
Não estão fartos, querem mais,
querem nosso estômago,
nossa educação, nossos encontros,
nossos filhos, nossas histórias,
nossos livros, nossas idéias.
Depois, vês aí dentro da esfera,
vendem-nos o que é nosso por um preço.
Tudo tem preço, a cerveja, o banho, a receita.
Fazem-nos pensar que tudo é gratuito.
Não fazemos idéia de que estamos apenas alimentando a fera.
Tudo tem preço...
O prazer, o cozer, o saber, o parecer, o esquecer.
Inventam realidades que adotamos
com a mesma displicência com a qual gastamos água.
Idiotas, nos deslumbramos com o fato
de que o amor que sentimos possa ser
expresso em tralha.
Nos esvaziaram, não somos nada sem eles.
A própria felicidade deve ser provada.
Não basta sorrir, tem-se que fotografar e filmar
e depois, depois é preciso ter aprovação.
E aí sim, podemos dormir sossegados
sabendo que somos felizes finalmente.
Mas até amanhã, quando precisamos
de novo pagar o preço.
Compramos absolutamente tudo o que nos vendem.
Claro, porque tudo é melhor
quando vem num pacote lustroso.
A verdade é que não há hoje
um biscoito de avó que rebata um cheetos.
"Eu escolho aquilo que sei que faz bem." - Alguém me disse.
Mas saber e escolher são duas coisas diferentes.
Ambas, porém, criadas por eles.
Como todos, eu choro.
Depois compro cheetos e não visito ninguém.
Nos supermercados, vejo o preço do abacate subir.
Uma das últimas maravilhas
que sobrara fora da esfera saudável.
Antes, manteiga de pobre, hoje, gordura dos deuses...
Compram tudo e com tudo compram medo.
Medo de envelhecer, medo de engordar, medo de ser triste.
Agora compram medo de dividir com estampas de guerras e terrorismo,
com estampas de igualdade disfarçada de pobreza,
outras vezes disfarçada de socialismo e comunismo.
Compram medo de perder empregos para imigrantes.
Enquanto eles… eles empregam microchips e robôs.
Compram medo da liberdade porque ela pode virar libertinagem.
Compram medo de perder regalias,
medo de conhecer outras culturas,
medo de não ser poderoso,
de não ter uma anaconda entre as pernas,
medo do apocalipse, da morte sem casa própria,
de perder a Copa, de não ser bonito em meio à toda a guerra,
medo de estar fora da esfera,
medo de ser gente.
E eu me pergunto, que medo compram as pessoas fora das esferas?
Elas não compram, elas não precisam, elas têm.
O horror da violência diária que compramos
de nossas telas cheias de medonhas imagens retintas
é delas.
Mas é delas também o magnificente abraço da vida,
de sinceras cores savanescas, com cheiro de pão e terra.
É delas a realidade opulenta da natureza
que dignifica, humilha e glorifica.
É delas que temos medo,
porque é delas que vem a nossa chance de voltar.
Preferimos ver nelas as mentiras que contam,
que são fracas, pobres, indomadas,
incapazes de raciocinar.
Claro, inteligente é o fascista que nos dividiu. 
Um povo em guerra mental ou física
é um povo fraco, fácil de dominar.
Amargos de alma, cada qual recolhe-se na sua cela
aceitando o trabalho dado,
desde que pareça ter sido uma escolha.
Afinal, quem foi que admitiu que o que fazemos é pouco ou medíocre? 
Quem foi que aceitou esbanjar mentiras e viver migalhas?
A verdade estremece no meu peito...
Foi quem votou, quem desprezou, discriminou,
quem está do outro lado! - eu grito internamente.
Vês, agora são presidentes, de países, de empresas,
de montanhas de inutilidades e bulhufas.
Meu coração aperta. É a verdade me ameaçando
com seu florete forjado na vergonha,
me acusando e me ferroando.
Contra-ataco com dois minutos na esfera,
tendo então convicções respaldadas,
a verdade cambaleia e se recolhe defensiva.
Respiro aliviada, aprumando o corpo.
A verdade, este dragão, agora dorme num canto escuro.
Tantos já enterraram esta besta terrível.
E eu ainda insisto em mantê-la viva,
'Inda que no porão,
sonhando em fazer as pazes e voar com ela.
...
Que a vitória dos fascistas
não me faça amarga a alma,
para que eu tenha a doçura e a bravura
de enfrentar a simplicidade,
a áspera beleza,
a recompensa diminuta do tripálio,
e a paz de ser.

Vanessa Aquino.
11/2016

Photo: Vanessa Aquino.

Monday, September 14, 2015

Do Adeus

Porque tu me deixastes
à mingua no teu carinho
e contigo levaste a luz deste meu olhar,
desespero meus passos
em busca de lucidez.

Porque todo o esquecimento
não pode sequer apagar
uma ponta das boas lembranças,
quebro eu mesma as poucas vigas
que deixaste de pé quando fostes.

Porque notícia alguma encontro
das promessas que me fizeste
quando amigo te fazias,
tomo eu este veneno
que é o desaparecimento.

Para que enfim possamos morrer
avessos de Shakespeare que somos
envenenados mutuamente,
apunhalados pela covardia,
enganados pelo desencontro.

Vanessa Emmanuelle de Aquino
2003

Friday, January 30, 2015

No olho do observador





















Estou aqui,
retorno no mesmo ponto e tempo de um inicio que outrora era raro para mim.
Retorno à mesma paisagem,
à mesma condição,
ao mesmo dia claro, gelado, sem nuvens,
ao mesmo centro cheio das mesmas oportunidades de antes,
à mesma cultura,
à mesma rotina,
às mesmas incertezas,
às mesmas esperanças.
Não vejo os mesmos problemas,
não me sinto estrangeira, superior ou inferior.
Não acho que estão erradas as coisas que vejo,
apenas penso que são como são.
Não brigo com o exterior ou com o interior.
Aprecio apenas. Amo inteira. Dôo o que tenho.
A realidade é outra.
E como poderia ser ela outra se ela é ainda assim a mesma?
Eu sou outra.
Meus olhos são outros,
e moldam a realidade de outra forma…

…A realidade está no olho do observador.



In the Eye of the Beholder

I'm here,
I have returned to the same point and time of a beginning that in the past was odd to me.
I have returned to the same landscape,
to the same condition,
to the same bright, cold and clear day,
to the same place full of same opportunities from the past,
to the same culture,
to the same routine,
to the uncertainties,
to the same hopes.
I don't see the same problems I saw before,
I don't feel like an alien, superior or inferior,
I don't think what I see around is wrong,
things are just the way they are.
I don't fight with the exterior or with the interior
I just appreciate. I love it. I give away what I have, freely.
The reality is another one.
And how could it be another one if it is still the same from before?
I am another one.
My eyes are different
they mold the reality differently...

…Reality is in the eye of the beholder.

Vanessa de Aquino

20 Jan, 2015.

Tuesday, November 18, 2014

Sem Coração!

Eu observo,
eu vejo a vida brotar nos jardins alheios enquanto as minhas plantas morrem.
É simples, eu sei.
Água, sol e algum carinho…
Mas quando eu tive o sol, não dava tempo,
quando eu lhe dei água, agüei demais
e o meu carinho… ah… eu não tenho um coração!

Monday, August 25, 2014

Pirate Love



And so there was me
troubled by the sand and sea
Believing the sun was so lazy
It wouldn't wake up a single daisy.
The bay was dark and shy
Alone I was, that's why
...then I followed the way in the sky
to arrive to my tryst on the sly.

A handsome pirate was waiting
He had no eye patch or braiding.
He showed me his ship far away,
and offered me some rum from Bombay.
Not sure it was me or the rum
but my view turned crooked and dumb,
The pirate promised me wonders,
Whales, sunrises and plunders.
I didn't believe it at first
But through the water a whale burst.

The sunrise sure came next
he held my hand, I was perplexed
A silent moment invaded the scene
I smiled hoping my teeth looked clean
That's the story of me and him
We got started by a simple whim:
Sharing a laugh, sharing a smile
sharing some love for our own guile

And if you ever see a big ship coming by
Don't hesitate, come to say "hi!"

Vanessa Emmanuelle

Friday, June 6, 2014

Nascer

À minha linda família

6 de Junho…

Que delícia reviver,
lembrar ao primeiro raio de sol
o fim do sacrifício de nascer.
quand'os pulmões do dia
s'enchem de esperança
um choro de alegria
um coração de criança.

Então me lembro um doce balançar
Sentir os braços maternais que aconchegam,
olhos brilhantes a me acompanhar
e o toque doce da sua mão na minha.

Depois, a admiração paternal
uma esperança cheia de mistério
os olhos rasos e eu a te olhar
e decorar o seu sorriso lindo.

E a alegria de reencontrar
quem conversou comigo do outro lado
beijos fraternos pra me aconchegar
e um riso solto pra me cativar.



Vanessa Emmanuelle de Aquino.


Tuesday, May 27, 2014

Cinema Andino


Luz!
É seu toque que revela aos poucos
quando os pássaros despertam roucos,
a intimidade juvenil dessas colinas,
suas cores 'inda dormentes e argentinas
suas formas…
…doces arredondados femininos
tragando aventureiros, peregrinos.

Câmera!
São meus olhos que te vêem poesia
cada rosto, sofrimento, ventania.
na lembrança dos teus braços, cordilheira
é qu'encontro para a vida a conselheira.
aprisionar…
… teus encantos nessas vãs fotografias,
é preservar um cobertor que se desfia.

Ação!
Meus pés conquistam continentes, corações,
mas são tuas pedras que me escutam as orações
Executo minha arte de lembrar
teus a beleza, o pôr-do-sol, rosa e luar
tocar-te…
…a via láctea que outra vez não poderei ver
com os próprios olhos, mas que jamais posso esquecer.

Vanessa Emmanuelle de Aquino.






Thursday, April 3, 2014

Romantique Montréal

Il arrive à la gare
Pour tuer les heures
Une fois pour toutes
… Il se jette.


First Haïku in Montreal

Ele chega à estação
Para matar todas as horas
de uma vez por todas
… Ele se joga.

Meu Primeiro Haikai em Montreal

Monday, December 9, 2013

Ponto de Vista/Point of View

Enquanto os outros têm sua solidão,
Eu tenho a minha liberdade.


While others have their loneliness
I have my freedom.

Emmanuelle de Aquino.

Wednesday, September 11, 2013

Post Mortem


Quando eu morrer, não quero que pensem no que me matou, 
quero que se recordem daquilo que me fez viver.


When I die, don't think about what killed me.
Just remember what made me live.

Vanessa Emmanuelle.

Wednesday, August 21, 2013

Lembranças Da Mulher Que Disse Não.

Ela era bonita, mas não era isso.
Tinha um esplendor na alma, uma melancolia na alegria, um não sei o quê pintado nas pálpebras, que vestiam seus olhos sensuais com fogo e razão.
Era tão paradoxal. Inofensiva, mas tão letal.
Doce carrasca das minhas noites de solidão.
Me deixava a míngua desejando que ela cumprisse as promessas que nunca fez, mas que seus olhos entregavam.

Fiquei assim por anos. Sentado a luz da lua diante da janela, nossa única conexão por vezes.
Além de sua misteriosa silhueta na janela, eu também via outros homens que iam ter com ela. Saiam todos de lá apenas com seu cheiro de flor nos pulmões, mas sem consumações.
Ela não nos dava nada, mas tanto eu quanto os outros homens a quem ela amistosamente colocava para fora de sua vida, saíamos esperançosos, com o peito cheio de sonhos.
Por vezes eu até desejei que qualquer outro homem a conquistasse, pois esta seria também minha vitória.

Nos iludia com verdades a menina. Eu tocava uma serenata, ela cantava. Eu me apaixonava, ela dormia de coração limpo.
E quantas vezes eu mesmo fiz para ela caixinhas de madeira para guardar seus brincos, plantei rosas para lhe brindar todos os dias. Ela recebia, sorria, dizia que amou. E amava. Mas não me amou nem por uma vez.

Senhora de todos os olhos, ela sem perceber era vista, seguida, observada.
Eu me confundia com o luar, pensando que era seu brilho que as poças nas ruas refletiam. Mas não, era ela que de vez em quando passeava nua pelas ruas. Nua na minha imaginação, na imaginação do meu vizinho e dos outros.

Ela era charmosa, mas não era isso.
Tinha um amor verdadeiro no coração e a alma despida das coisas más. Justiça, força, firmeza, tão severa era a senhorita.
Não buscava o amor, era apenas amiga. O amor no entanto sim, caiu por esta melodia em forma humana. Ela nem se incomodava em escutar outra melodia qualquer que não a sua.
Depois aprendi que ela sim queria um amor, mas era o amor de Julieta. E shakespeareana, tomou o elixir, o veneno e se apunhalou. Queria ter um caso eterno de amor com a vida e se guardou para amar um único amante, seu eu.

Entre nós ela se tornou uma lenda. Alguém que causa em nós tanta paixão, sem dar nada, sem compartilhar sonhos, sem nem dar bola mesmo. E muitas vezes ela disse que não acreditava no meu amor... e disse isso pra um milhão de cavalheiros, montados nos seus melhores cavalos, trazendo as mais belas flores.
Se mudou pra longe, talvez pra um mosteiro no Tibet, talvez pra um deserto sem flor. Nunca mais se falou de tal formosa dama, mas os olhares tristes e perdidos daqueles que a encontraram, contam essa história.

Resta saber se estando lá longe, guardada feito diamante no cofre mais longínquo da natureza, ela vai, um dia, libertar meu coração.

Tuesday, July 31, 2012

Mission


I'll give you the keys to open the doors,
I'll give you the keys...
I'll tell you the secret to find the doors,
I'll tell you the secret...
I'll show you the path that leads to yourself,
I'll show you the path...
I'll leave.

Vanessa Emmanuelle

Eu te darei as chaves para abrir as portas,
Eu te darei as chaves...
Eu te darei o segredo para encontrar as portas,
Eu te darei o segredo...
Eu te mostrarei a passagem que leva a ti mesmo,
Eu te mostrarei a passagem...
Eu partirei.

Vanessa Emmanuelle.

Jan, 30, 2010

Photography: Allan Nielsen

Saturday, June 30, 2012

História De Um Clown Repetente


Era uma vez um palhaço,
que por ventura chorou.
Pôs no pescoço um laço,
pr'acabar com a dor que o tomou.

Com coração de um menino,
ingênuo, o clown não sabia,
que o mundo era tão ferino,
e que o amor não existia.

Porém,

De tão distraído que era,
o clown percebeu uma rosa,
brotando do chão como hera,
sorriu, esqueceu, ficou prosa.

Um dia de flor se lhe abriu,
em quedas e saltos brincou,
palhaço-menino sorriu,
amor de verdade criou.

Rosa e clown se entendiam
eternos amantes do dia.
Os dois em pureza se riam
até quando não se podia.

Se o vento corria de lado,
o clown se punha de frente.
Se a rosa gritava: tarado!
Corria o clown do demente.

Depois com vergonha voltava,
Pedia da rosa o perdão,
Apesar de brava que estava,
a rosa nunca dizia não.

Se o clown já vinha encrencado
com um cão vadio e louco.
A flor defendia o coitado
com espinhos e jeito amouco.

Assim foi a história amorosa
d'uma rosa e seu palhaço
defendendo-o, cavalheirosa,
aninhando-o em seu abraço.

Mas, eis que em toda história,
o evento paradoxal do fim
imortaliza com lágrima e glória
o amor de qualquer serafim.

O tempo passou pela flor
que a roda do tempo marcou.
Pétala a pétala de dor,
nosso saltimbanco desolou.

Seu corpo pesou como aço
pressionando a flor contra o peito.
Antes um feliz palhaço, 
agora um misérrimo é feito,

Eis que a corda, seu baraço
do qual a rosa lhe salvou,
seguia aguardando o palhaço,
que novamente a encontrou.

Corda e pescoço, um embate.
Se arma a trágica penumbra.
Mas, logo na hora do abate,
não é que o clown se deslumbra?

Uma pequena andorinha
pousou na corda, displicente,
bicando-a como erva daninha,
mirando o clown repetente.

O clown lhe sorriu meio tímido
E mudo se lhe esboçou,
que tinha o coração túmido
e a ela o clown se entregou.

Vanessa Aquino.







"Os clowns são puros, ingênuos e sempre se distraem com coisas simples." (Ketely Aquino)



Monday, June 18, 2012

conexões


Ele ligou, mas era engano
Eu atendi, era reclamação
A ligação não foi completa
Chamada international
é coisa incerta.
O celular vibrou, ignorei
O telefone toca, eu não estou.
Tirei do gancho para meditar.
Menino! Desliga esse celular!
Tem boi na linha,
Linha cruzada,
Sinto saudades,
Telepatia e carta.
07/ October/10



Thursday, June 7, 2012

Enquanto Ilumino a Noite

Quando eu era uma menina, eu tinha a graça de absorver o céu com os olhos.
Olhava e olhava sem me cansar. Decorava o céu e encontrava minhas estrelas favoritas.
Vez em quando aprendia o nome de uma constelação. Mas o que eu gostava mesmo era de imaginar histórias, dar nome às minhas próprias constelações, namorar a lua, ler poemas de lua, escrever com seus raios prateados a minha história de amor com a vida.
Eu queria ser a lua e ser noturna. Passava as noites em claro ouvindo Lua Branca de Chiquinha Gonzaga e me punha por trás dos cadernos querendo dormir.
Eu era a lua, eu era a lua...
Um dia, de tanto acreditar, surpreendi a lua lá no dia... e eu aqui iluminando a noite...

Vanessa Aquino.



Saturday, April 21, 2012

Boston Sweet Home

While guys go by and girls get along
People ask me why I'm alone...
...Perhaps I left my heart and desires back home.

Vanessa Emmanuelle.




Wednesday, April 11, 2012

Em Si Bemol

Para Thiago Faioli

Tu és,
meu Manoel de Barros em Si bemol.
Decifrar-te a impossibilidade em verso
aninhada nas nuances dos teus tons é vão.

Amei-te ouvido e boca e nunca mãos,
Nós nunca nos tocamos mais que a alma
Queria nos despir da aura, intrínseca poesia
Amar-te funda e lenta'té tocar-te a carne.

Vês que a cultura e a boemia
Tão pouco nos uniu, posto que a vida
é mesmo um gira-gira e nos sugou
matéria e féria então nos apagou,
da mente o que se sente
e nos matou.

Vanessa Aquino.





Thursday, March 8, 2012

Night Rescuer

Silence, silence...
As I walk over a trail I turn up to the top of a hill 
finding myself face to face with the sun. 
I want to make sure I reached the highest point of the hill so I look around. 
There's nothing higher than the rock I'm standing on.
A chasm spreads out at my feet.
I notice all leaves are dead and all birds are quiet. 
Stillness is in the air and every single form of life finds comfort now, 
as if everything was resting because nothing in the entire world would have to fight to stay alive
on this brief moment...
Life is still...
I look again and the sun is setting,
I witness its private moment,
its ritual of undressing colors,
its last yawn.
Blue, green, yellow, all the  dressing tones of the sun are one by one thrown through the air now filled with a divine spectral composition.
Yellow linens of air mixing with orange sparks reach the violet clouds softly permeating the king of light.
Then all the hills and mountains go black, brown and navy blue. A wavy royal bed is set for the king.
A king that hides behind the mountains to then, relentless rescue us from darkness
again, again and again.

Vanessa Aquino.

Sunday, March 4, 2012

Esta mulher






Essa mulher que é bicho, 
que feroz me arranha por dentro 
às vezes foge o cativeiro,
se banha desnuda no riacho,
se exaspera com facilidade,
xinga a mãe e o pai dos outros,
sai da dieta, dorme até tarde,
caça os homens pra comer depois.
Essa mulher, essa aranha, essa manha,
mora dentro de mim e eu a mantenho presa, 
cativa, tentando domá-la,
acalmá-la, conquistá-la. 
Não! Não é por mal que a fiz prisioneira,
é por ser insaciável.
Ultrapassaria os limites,
comeria até explodir, 
transaria até se esfolar,
dormiria até se esquecer de acordar.
Ficamos assim eu e ela, meu eu interior,
meu deus interior, meu meu, 
meu eu solamente.
Ela tentando me ensinar sobre os prazeres da liberdade,
as vantagens de não ter disciplina,
os benefícios do desmazelamento.
Enquanto eu a conduzo pelas frias mesas da rotina, 
com hora, local e justificativa 
pra tudo o que fizer.
Faço sem entender direito porque é tão importante ser assim
se me cativa tanto mais descobrir as maneiras desta mulher.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, February 20, 2012

Nuevos Aires





















Estou mudando de pele,
Estou mudando de ares,
Estou sonhando outros sonhos,
Quero ir pra Buenos Aires!

Vanessa Aquino.

Sunday, February 12, 2012

Filme de Terror



Eu vi uns zumbis horrendos saindo da terra outro dia na tevê.
Logo pensei...
Quem imaginou isso não deve nunca ter visto brotar uma flor,
despontar o capim, nascer o amor.
Como poderia a terra, que tantas coisas lindas e apetitosas traz à luz,
trazer o inacabado, o carcomido e mulambento pensamento teu, senhor escritor?

Vanessa Aquino.
Foto: http://www.blackjungleterrariumsupply.com/Carnivorous-Plants_c_17.html

Saturday, December 10, 2011

Like a mother


Even before the roughest attitudes of humanity and the most arid scenarios we create with our childish purposes, beauty and nature still find their way out.

Como uma mãe

Mesmo diante das atitudes mais atrozes da humanidade e dos cenários mais áridos que criamos com nossos objetivos infantis, a beleza e a natureza ainda encontram saída.

Vanessa Aquino

Photo: http://sqoutfitters.com/Nature.htm

Wednesday, November 16, 2011

Sê Grande!

Ser grande...
A única coisa que te impede de ser grande é você mesmo.
Não é o governo, o pai, o marido, o maldito cachorro que come o dever de casa.
Não é a situação, a prima, a rival, a terrível herança do DNA.
Não são as coisas que acontecem, mas a forma como você lida com estas esferas da vida.
Cresce!
Sê grande!
Olhe com olhos de sábio,
pense com a paz de um guru,
simplifique!
Para chegar lá basta trabalhar, estudar, fazer, calar a boca e agir.
A receita é fácil, soa como coisa antiga.
A verdade é que isso nunca mudou...
...A gente só chega aonde quer chegar.

Vanessa Aquino.
Foto: Vanessa Aquino

Thursday, September 15, 2011

Cora Coralina

A Cora é um pedaço do amor que a terra nos levou! 
Mas, a revanche... ela nos deixou seus filhos versos, 
seu olhar poético, seus braços palavras e nos alcançou!

Vanessa Emmanuelle.

Saturday, August 20, 2011

O mar que o céu recorda

Quando a noite se assenta sobre o acampamento e os homens deixam o manso véu andino que cobre as montanhas para ir jantar nos prédios de lata, saio furtiva da casa da fazenda a explorar a noite como se fosse só minha.
Não há ninguém, só eu estou no mundo e me ponho a caminhar pelo pomar, com suas árvores secas pelo inverno gélido e a vigiar as estrelas cadentes sem fazer pedidos, porque é bobagem fazer pedidos num mundo onde não há mais ninguém.
Ao alcançar o pasto espanto os pássaros invisíveis que se recolhem por trás do capim.  Assustados, voam com seus piados esganiçados me indicando a direção que tomam sem jamais me deixar vê-los.
Então visito os bichos sonolentos que moram no curral e que não sei bem se por sono ou por medo de mim, não fazem o menor ruído.
Depois dou pra observar o céu que de tantas estrelas me estarrece. Elas caminham sobre mim, me assombram e seduzem. Abduzida me encontro na porteira. Perdida, ando no meio da estrada e fico pensando que provavelmente os céus são o reflexo do oceano que esteve aqui um dia, com suas miríades de estrelas marinhas e algas com textura de Via Láctea. Isso provavelmente explica os terremotos.
Pouco me importam as explicações científicas ou os estudiosos com suas teorias. Pois eu, quando ando lá fora olhando para os mares celestiais, só consigo pensar que a terra, ao mirar o espelho do céu e ver o rosto que guardou sua juventude, só pode mesmo reagir com sobressalto...
...Disseram-me que há terremotos na província de San Juan, mas que terra não estremeceria diante deste céu?

Vanessa Aquino.

Sunday, May 29, 2011

Desacreditar...



                                                                    Foto: Vanessa Aquino.
"A cada dia que passa Deus esta tão mais em mim que preciso crer menos nele." Vanessa Aquino.

Friday, April 8, 2011

Back to the city


Vuelvo al sur...
Maybe tango,
Maybe mambo,
The city invites
And I... "compiango".

Vanessa Aquino.

Thursday, March 31, 2011

Art Gallery

Foto: Vanessa Aquino. (Pico de Arita - Andes)

I'm here,
There's nothing around
except by some of the most inspired art works of God.
Yes, I found one of the best art galleries in the world.

Vanessa Aquino.


Estou aqui,
Não há nada ao meu redor,
exceto por algumas das obras mais inspiradas de Deus.
Sim, eu encontrei uma das melhores galerias de arte do mundo.

Vanessa Aquino.

Friday, March 18, 2011

Para viver / To live your life


Foto: Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Há apenas uma forma de encontrar as coisas mais belas do mundo; desarraigar-se da beleza que um dia encontramos e aprendemos a amar,  e ir amar outras belezas em outros lugares. 
No final nos damos conta de que absolutamente tudo é beleza e a sensação é de que vivemos intensamente.


There is only one way to find the most beautiful things in the worldextricate ourselves from the beauty we found one day and learned how to love, and then go love beautiful things somewhere else.
In the end we realize that absolutely everything is beautiful and the feeling is that we had lived intensely.



Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Sunday, March 6, 2011

Made of words

Junoesque...
...Someone found this word on me today.

Emmanuelle.

Tuesday, February 22, 2011

Poemas e Operações

Estou na sala de operações,
não há doutor,
apenas uns amigos.
O sistema elétrico está em pane,
os amigos tentam resolver.
O monitor não responde,
são muitos amperes para ler,
não sei somar...
Vozes de tanta gente
vozes saindo das caixinhas,
não há silêncio.
Um moinho gira lá fora.
Apesar de tudo isso ser tão importante, nada importa;
escrevo um poema na sala de operações.



18, Fevereiro,  2011

Vanessa Aquino.

Sunday, January 23, 2011

You

Photo: Tiago Lima




I don't know if I know you,
Perhaps I just imagine you,
Like I had a dream of who you would be.
Maybe... there's no you.

I probably stole your image
to match up with my ideal "you",
where the "you" I like is not you,
but the "you" who makes me happy.

As opposed to you, my ideal "you"
is probably boring, deprived of will
For I carry "you" everywhere
And I can't keep the real you.

My "you" will stay with me
And you... you're always apart.
So why do I long so much
My perfect "you" to be you?

Emmanuelle Aquino.

Thursday, December 23, 2010

Farewell




Farewell, farewell...
My wings are open...



Vanessa Aquino.
I'll miss it! Thanks to everyone who made it so wonderful!

Tuesday, December 14, 2010

Doubt...


"I don't know what to do 
to do not lose you without losing myself." 

(The Book Of Nothingness)
Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Photo: Vanessa E. De Aquino.

Friday, December 3, 2010

A mudança...

"O amor não muda o ser amado, muda você." (O Livro do Nada)

"Love doesn't change the one you love, it changes you." (The Book Of Nothingness)

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Photo: Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, November 22, 2010

Das Minas



Eu provavelmente nasci no berço da poesia. Lá, todo mundo vê poesia mais do que lê.
Meus amigos olham os céus e dizem: -Que lindo! Meus pais vêem as montanhas e dizem: Que maravilha! Senhoras passeiam pelos jardins e dizem: É Deus!
Já nas terras do norte não parece existir poesia. Todo mundo conhece a lua, mas do ponto de vista do médico.
Sabem seu tamanho, peso e distância e até quantas voltas ela dá, porém, ninguém fala da alma da lua. Debaixo de tantas luzes artificiais e análises científicas a lua fica até feia e sem uso. Acho que de vergonha por ser descaradamente desnudada pela ciência, ela esconde sua aura poética e enigmática.
Já nas Minas o povo faz questão de viajar pro mato onde a lua pode reinar misteriosa na escuridão do céu. Os mineiros vivem a poesia, mastigam-na com a comida do fogão à lenha, nadam na poesia em secretas cachoeiras e nostálgicos, caminham sobre ela quando encontram o barroco das igrejas de Sabará,  Ouro Preto e Diamantina.
Cá onde eu moro não tem poesia e eu fico me sentindo como uma canção do Chico, feito concha jogada no quintal e que embora enxuta, guarda o mar no seu estojo... um mar de morros, o mar de Minas.

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Thursday, November 11, 2010

Changes


My radiation changes your cravings,
And you hug me.
My scent changes your desires,
And you kiss me.
My eyes change your direction,
And you meet me.
My mind changes again,
And you start it over… me.

Tuesday, November 2, 2010

A Nadadora



Eu não sei se ela nadava bem,
mas afundar não afundava.
Parecia mais estar dançando
uma espécie de balé aquático.
Talvez fosse atriz e ensaiasse
o movimento antes do desmaio
enquanto nadava de costas.
Talvez apenas nunca fora uma nadadora.
Talvez tenha faltado à aula de natação.
Talvez estivesse fazendo charme.
Quem sabe era só sua personalidade.
O que há de se notar é que
apesar do seu nadar tão despido
de técnica e eficiência
nadava poética inspirando-me
ao ponto de escrever-lhe versos.

Setembro, 23, 2010

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Tuesday, October 26, 2010

Essa Menina

Para a minha menina a quem eu faço reverência.
10/10/10

Era menina-diana, era banho de rio, era muita esperteza, era branca e singela, não fala sua estória sem mudar de cor.

Era um camaleão, capitão de um navio, era meio chuvisco, era forte, era deusa, até boa de bola, era coisa de ator.

Era uma lata de leite, era boba, er'azeite, era um disse-me-disse, era imaginativa, faminta, amiga, expansiva e ardor.

Era risada gostosa, um jeito de gente, violão plangente, lembrava uma nega, era pele de lua e tinha um cobertor.

Essa menina que ensina, que pensa  e que drama, mais canta, mais dança que um fim de semana, parece comigo, mas lembra uma flor.

Era poeta, engraçada, enfermeira ela  era, futrica, bisnaga,  ‘té boa de briga, era bola-de-gude, cansada semana ela sente uma dor.

Era feito porcelana, de ferro e de fama, talento de anjo, dos gregos a trama, até mesmo a questão  que enforcou Calabar.

Eu vi crescer do avesso essa moça, essa mana, que cuida, me mima, me escreve e declama, dirige as vidas do seu altar.

Quando eu passar essa fase me dá outra vida com essa menina que é bem resolvida, pois a eterninade não vai lhe escapar.




Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, October 25, 2010

A Aula de Dança

Ouvia música e era arrebatada, os pés se moviam suavemente e o corpo queria se entregar  aos acordes. A mente se perdia em devaneio, o coração palpitava e me fazia sentir renovada. Era amor, pensei. Precisava encontrar uma forma de libertar o corpo das cadeias da timidez, da auto-consciência, do olho do outro.
Encontrei uma escola de dança. Me inscrevi no curso de danças mais apaixonado possível. Sonhei com as aulas, me preparei. Comprei um vestido  com fitas vermelhas, uns sapatos cheios de más intenções, coloquei na minha bolsa o vestido, os sapatos e o coração.
Aterrisei no estúdio com brilho nos olhos, cabelos presos sem muita ambição, sorriso de lua e expectativas sem fim.
Quando o professor de dança chegou, nos explicou os princípios da dança e nos ensinou como contar. Ao ouvir tal heresia a dança se escondeu atrás do divã, a música tocou à força, os passos ficaram perdidos.
1,2,3,4,5,6,7,8.
1,2,3,4,5,6,7,8.
Aprendi a contar na aula de dança e a minha esperança se atirou pela janela. Meu corpo não sabe contar, quem conta são os matemáticos com sua mania de medir poesia. O meu corpo confuso não acertou sequer um passo. Frustração e um silêncio gélido me dominavam.
Fim de aula. O professor disse: “Se quiserem praticar podem ficar no estúdio.”
A música retomou o fôlego, e sem números dançando pelo ar, ela tocou delicada o assustado coração. Abracei o parceiro de dança e o corpo obedeceu seu comando. Eu podia agora dançar sem explicações, aquilo que jamais se poderá explicar.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.


Tuesday, October 19, 2010

El Cuento de la Calle de Las Flores



Había una casa en la Calle de Las Flores donde crecía un rosal. Pero en cada año, al final de la primavera, apenas una rosa floría.

Era una rosa tan hermosa que todos se detenían frente a ella para admirarla. Pero lo que pasaba es  que después de ver la rosa, las personas no eran capaces de reconocer la belleza en todo lo demás. 

Toda la gente admiraba tanto aquella flor que todas las veces que la rosa se murria, a principios del invierno, las personas sentían sus vidas secas y pálidas. Debido a que no les era posible ver la belleza en cualquier otro lugar.

Curiosamente, todos los años cada vez más y más personas se reunian en frente de la casa antes del final de la primavera. Ellos deseabam volver a ver la belleza que no podían más encontrar en ningún otro lugar.

Poco a poco, la multitud empezó a desputar espacio delante de la casa, unos intentaban avanzar, otros empujaban los que tenían mejor ubicación para ver la rosa y de pronto, la gente empezó a matar unos a los otros con fines de tener la oportunidad de ver la rosa una vez más.

Cuando todos estaban muertos, miles de capullos de rosa florecieran a tal punto, donde no se podía ver nada en la calle además de los capullos de rosa, brillantes de color sangre.




Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, September 27, 2010

Infinito Particular

Para a parte da minha alma que nasceu primeiro:
Ketely Aquino.

Conversamos muito sobre o corpo,
sobre as estratégias para fazê-lo ouvir a mente
e a mente ouvir a alma...
Através das palavras descobrimos juntas nossa classificação antropológica.
Com esse sentimento que nem o amor pode nomear anulamos a distância.
Bailando, sorrindo, imaginando e rindo de nós mesmas estamos agora em nosso infinito particular.

Tuesday, September 7, 2010

A cidade


É uma dança
A vida na cidade,  os andares, os andares
Pessoas vão, elevadores vãos... vãos
Luzes, ação, frenesi.

Altas torres abrigam o trabalho,
Pacatas passeatas alimentam guerrilhas cruéis,
Tudo dança nesta cidade.
-É um assalto! É um tiro!

Uns fugindo da justiça,
Uns matando pela paz,
Quem dá paz? Quem dá mais?


Vanessa Aquino.

Friday, September 3, 2010

A diar o dia





Ah o dia...
...em que banhei o corpo em teu olhar que ardia,
...em que nos braços teus quase morri tanta taquicardia,
...em que escondidos das trapaças nossa paixão podia,
...em que a poeira vermelha da estrada nossa roupa encardia...
O dia não queria parar  só por pura covardia.
A correr pr’oeste estávamos em nossa vã ousadia
Na tentativa doce e inútil de adiar o dia...

02 de Abril de 2010

Vanessa Aquino.

Thursday, September 2, 2010

Alma gêmea

Encontrei minha alma gêmea,
mas ela não me reconheceu...
Acho que vou cortar meus cabelos.

Vanessa Aquino.

Thursday, August 26, 2010

Letal


Enquanto fazia uma longa caminhada e falava sobre as coisas da vida e o prazer do autoconhecimento um companheiro de viagem me perguntou com ares de ironia:

“-Se realmente te conheces tanto, conta-me, o que em ti é letal? Enfim, és capaz de dizer qual parte de ti pode ser tão nociva, venenosa, dura a ponto de matar um coração?”

Após a pergunta ponderei, pensei e caminhei continuamente sem dar resposta. Mas sendo o meu companheiro um tanto sagaz, após um longo silêncio me disse:

“Tens razão. O teu silêncio é fatal. Por favor, não me prives das tuas palavras.”

Vanessa de Aquino.

Wednesday, July 21, 2010

"... e quando ele me viu ensimesmada tentando equilibrar uma grande rocha debaixo de meus pés, comprou-me uma dúzia de borboletas encapsuladas em seus casulos..." (O Livro do Nada)
Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Sobre a liberdade

"Para ser livre liberte tudo aquilo que você ama..."
"To be free, free everything you love..."

Vanessa Aquino - O Livro do Nada

Tuesday, June 29, 2010

About The Liars

Do you know how it is when the circus arrives in a village?
Everybody gets excited. People want to watch the show, see the artists, be friends with the clowns, fall in love with the trapeze artists, re-connect with the dreams their souls have forgotten.
The show starts and the artists fill up the audience's heart with dreams and promises... some of them are true, but most of them are like soap bubbles, light spheres dancing through the space, so beautiful, so colorful, but totally empty and ephemeral.
The circus can't stay for too long, it has to go before the delicate bubbles fall in the audience's hands and vanish. The circus goes away silently and heavy.
Where is the circus? - The city pleads for the dreams and promises the artists brought, but it gets back to its routine as the truth comes up.
Goodbye colorful bubbles... goodbye empty promises... goodbye adorable liars...

Monday, April 12, 2010

Águas D'alma

Estou cansada do pão de cada dia,
Quero um banquete regado a vinho.
Onde está o Deus que se renova?
N'algum lugar profundo dessas águas...
Onde está a Palavra que me cega
E torna o coração apto a visão?
Beberei um rio inteiro a encontrar
Palavras para um mundo restaurar.

Vanessa Emmanuelle.