Saturday, April 21, 2012

Boston Sweet Home

While guys go by and girls get along
People ask me why I'm alone...
...Perhaps I left my heart and desires back home.

Vanessa Emmanuelle.




Wednesday, April 11, 2012

Em Si Bemol

Para Tiago Faioli

Tu és,
meu Manoel de Barros em Si bemol.
Decifrar-te a impossibilidade em verso
aninhada nas nuances dos teus tons é vão.


Amei-te ouvido e boca e nunca mãos,
Nós nunca nos tocamos mais que a alma
Queria nos despir da aura, intrínseca poesia
Amar-te funda e lenta'té tocar-te a carne.


Vês que a cultura e a boemia
Tão pouco nos uniu, posto que a vida
é mesmo um gira-gira e nos sugou
matéria e féria então nos apagou,
da mente o que se sente
e nos matou.


Vanessa Aquino.





Thursday, March 8, 2012

Night Rescuer

Silence, silence...
As I walk over a trail I turn up to the top of a hill 
finding myself face to face with the sun. 
I want to make sure I reached the highest point of the hill so I look around. 
There's nothing higher than the rock I'm standing on.
A chasm spreads out at my feet.
I notice all leaves are dead and all birds are quiet. 
Stillness is in the air and every single form of life finds comfort now, 
as if everything was resting because anything in the entire world would have to fight to stay alive
on this brief moment...
Life is still...
I look again and the sun is setting,
I witness its private moment,
its ritual of undressing colors,
its last yawn.
Blue, green, yellow, all the  dressing tones of the sun are one by one thrown through the air now filled with a divine spectral composition.
Yellow linens of air mixing with orange sparks reach the violet clouds softly permeating the king of light.
Then all the hills and mountains go black, brown and navy blue. A wavy royal bed is set for the king.
A king that hides behind the mountains to then, relentless rescue us from darkness
again, again and again.


Vanessa Aquino.

Sunday, March 4, 2012

Esta mulher






Essa mulher que é bicho, 
que feroz me arranha por dentro 
às vezes foge o cativeiro,
se banha desnuda no riacho,
se exaspera com facilidade,
xinga a mãe e o pai dos outros,
sai da dieta, dorme até tarde,
caça os homens pra comer depois.
Essa mulher, essa aranha, essa manha,
mora dentro de mim e eu a mantenho presa, 
cativa, tentando domá-la,
acalmá-la, conquistá-la. 
Não! Não é por mal que a fiz prisioneira,
é por ser insaciável.
Ultrapassaria os limites,
comeria até explodir, 
transaria até se esfolar,
dormiria até se esquecer de acordar.
Ficamos assim eu e ela, meu eu interior,
meu deus interior, meu meu, 
meu eu solamente.
Ela tentando me ensinar sobre os prazeres da liberdade,
as vantagens de não ter disciplina,
os benefícios do desmazelamento.
Enquanto eu a conduzo pelas frias mesas da rotina, 
com hora, local e justificativa 
pra tudo o que fizer.
Faço sem entender direito porque é tão importante ser assim
se me cativa tanto mais descobrir as maneiras desta mulher.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, February 20, 2012

Nuevos Aires





















Estou mudando de pele,
Estou mudando de ares,
Estou sonhando outros sonhos,
Quero ir pra Buenos Aires!

Vanessa Aquino.

Sunday, February 12, 2012

Filme de Terror



Eu vi uns zumbis horrendos saindo da terra outro dia na tevê.
Logo pensei...
Quem imaginou isso não deve nunca ter visto brotar uma flor,
despontar o capim, nascer o amor.
Como poderia a terra, que tantas coisas lindas e apetitosas traz à luz,
trazer o inacabado, o carcomido e mulambento pensamento teu, senhor escritor?

Vanessa Aquino.
Foto: http://www.blackjungleterrariumsupply.com/Carnivorous-Plants_c_17.html

Saturday, December 10, 2011

Like a mother


Even before the roughest attitudes of humanity and the most arid scenarios we create with our childish purposes, beauty and nature still find their way out.

Como uma mãe

Mesmo diante das atitudes mais atrozes da humanidade e dos cenários mais áridos que criamos com nossos objetivos infantis a beleza e a natureza ainda encontram saída.

Vanessa Aquino

Photo: http://sqoutfitters.com/Nature.htm

Wednesday, November 16, 2011

Sê Grande!

Ser grande...
A única coisa que te impede de ser grande é você mesmo.
Não é o governo, o pai, o marido, o maldito cachorro que come o dever de casa.
Não é a situação, a prima, a rival, a terrível herança do DNA.
Não são as coisas que acontecem, mas a forma como você lida com estas esferas da vida.
Cresce!
Sê grande!
Olhe com olhos de sábio,
pense com a paz de um guru,
simplifique!
Para chegar lá basta trabalhar, estudar, fazer, calar a boca e agir.
A receita é fácil, soa como coisa antiga.
A verdade é que isso nunca mudou...
...A gente só chega aonde quer chegar.

Vanessa Aquino.
Foto: Vanessa Aquino

Thursday, September 15, 2011

Cora Coralina

A Cora é um pedaço do amor que a terra nos levou! 
Mas, a revanche... ela nos deixou seus filhos versos, 
seu olhar poético, seus braços palavras e nos alcançou!

Vanessa Emmanuelle.

Saturday, August 20, 2011

O mar que o céu recorda

Quando a noite se assenta sobre o acampamento e os homens deixam o manso véu andino que cobre as montanhas para ir jantar nos prédios de lata, saio furtiva da casa da fazenda a explorar a noite como se fosse só minha.
Não há ninguém, só eu estou no mundo e me ponho a caminhar pelo pomar, com suas árvores secas pelo inverno gélido e a vigiar as estrelas cadentes sem fazer pedidos, porque é bobagem fazer pedidos num mundo onde não há mais ninguém.
Ao alcançar o pasto espanto os pássaros invisíveis que se recolhem por trás do capim.  Assustados, voam com seus piados esganiçados me indicando a direção que tomam sem jamais me deixar vê-los.
Então visito os bichos sonolentos que moram no curral e que não sei bem se por sono ou por medo de mim, não fazem o menor ruído.
Depois dou pra observar o céu que de tantas estrelas me estarrece. Elas caminham sobre mim, me assombram e seduzem. Abduzida me encontro na porteira. Perdida, ando no meio da estrada e fico pensando que provavelmente os céus são o reflexo do oceano que esteve aqui um dia, com suas miríades de estrelas marinhas e algas com textura de Via Láctea. Isso provavelmente explica os terremotos.
Pouco me importam as explicações científicas ou os estudiosos com suas teorias. Pois eu, quando ando lá fora olhando para os mares celestiais, só consigo pensar que a terra, ao mirar o espelho do céu e ver o rosto que guardou sua juventude, só pode mesmo reagir com sobressalto...
...Disseram-me que há terremotos na província de San Juan, mas que terra não estremeceria diante deste céu?

Vanessa Aquino.

Sunday, May 29, 2011

Desacreditar...



                                                                    Foto: Vanessa Aquino.
"A cada dia que passa Deus esta tão mais em mim que preciso crer menos nele." Vanessa Aquino.

Friday, April 8, 2011

Back to the city


Vuelvo al sur...
Maybe tango,
Maybe mambo,
The city invites
And I... "compiango".

Vanessa Aquino.

Thursday, March 31, 2011

Art Gallery

Foto: Vanessa Aquino. (Pico de Arita - Andes)

I'm here,
There's nothing around
except by some of the most inspired art works of God.
Yes, I found one of the best art galleries in the world.

Vanessa Aquino.


Estou aqui,
Não há nada ao meu redor,
exceto por algumas das obras mais inspiradas de Deus.
Sim, eu encontrei uma das melhores galerias de arte do mundo.

Vanessa Aquino.

Friday, March 18, 2011

Para viver / To live your life


Foto: Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Há apenas uma forma de encontrar as coisas mais belas do mundo; desarraigar-se da beleza que um dia encontramos e aprendemos a amar,  e ir amar outras belezas em outros lugares. 
No final nos damos conta de que absolutamente tudo é beleza e a sensação é de que vivemos intensamente.


There is only one way to find the most beautiful things in the worldextricate ourselves from the beauty we found one day and learned how to love, and then go love beautiful things somewhere else.
In the end we realize that absolutely everything is beautiful and the feeling is that we had lived intensely.



Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Sunday, March 6, 2011

Made of words

Junoesque...
...Someone found this word on me today.

Emmanuelle.

Tuesday, February 22, 2011

Poemas e Operações

Estou na sala de operações,
não há doutor,
apenas uns amigos.
O sistema elétrico está em pane,
os amigos tentam resolver.
O monitor não responde,
são muitos amperes para ler,
não sei somar...
Vozes de tanta gente
vozes saindo das caixinhas,
não há silêncio.
Um moinho gira lá fora.
Apesar de tudo isso ser tão importante, nada importa;
escrevo um poema na sala de operações.



18, Fevereiro,  2011

Vanessa Aquino.

Sunday, January 23, 2011

You

Photo: Tiago Lima




I don't know if I know you,
Perhaps I just imagine you,
Like I had a dream of who you would be.
Maybe... there's no you.

I probably stole your image
to match up with my ideal "you",
where the "you" I like is not you,
but the "you" who makes me happy.

As opposed to you, my ideal "you"
is probably boring, deprived of will
For I carry "you" everywhere
And I can't keep the real you.

My "you" will stay with me
And you... you're always apart.
So why do I long so much
My perfect "you" to be you?

Emmanuelle Aquino.

Thursday, December 23, 2010

Farewell




Farewell, farewell...
My wings are open...



Vanessa Aquino.
I'll miss it! Thanks to everyone that made it so wonderful!

Tuesday, December 14, 2010

Doubt...


"I don't know what to do 
to do not lose you without losing myself." 

(The Book Of Nothingness)
Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Photo: Vanessa E. De Aquino.

Friday, December 3, 2010

A mudança...

"O amor não muda o ser amado, muda você." (O Livro do Nada)

"Love doesn't change the one you love, it changes you." (The Book Of Nothingness)

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Photo: Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, November 22, 2010

Das Minas



Eu provavelmente nasci no berço da poesia. Lá, todo mundo vê poesia mais do que lê.
Meus amigos olham os céus e dizem: -Que lindo! Meus pais vêem as montanhas e dizem: Que maravilha! Senhoras passeiam pelos jardins e dizem: É Deus!
Já nas terras do norte não parece existir poesia. Todo mundo conhece a lua, mas do ponto de vista do médico.
Sabem seu tamanho, peso e distância e até quantas voltas ela dá, porém, ninguém fala da alma da lua. Debaixo de tantas luzes artificiais e análises científicas a lua fica até feia e sem uso. Acho que de vergonha por ser descaradamente desnudada pela ciência, ela esconde sua aura poética e enigmática.
Já nas Minas o povo faz questão de viajar pro mato onde a lua pode reinar misteriosa na escuridão do céu. Os mineiros vivem a poesia, mastigam-na com a comida do fogão à lenha, nadam na poesia em secretas cachoeiras e nostálgicos caminham sobre ela quando encontram o barroco das igrejas de Sabará,  Ouro Preto e Diamantina.
Cá onde eu moro não tem poesia e eu fico me sentindo como uma canção do Chico, feito concha jogada no quintal e que embora enxuta, guarda o mar no seu estojo... um mar de morros, o mar de Minas.

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Thursday, November 11, 2010

Changes


My radiation changes your cravings,
And you hug me.
My scent changes your desires,
And you kiss me.
My eyes change your direction,
And you meet me.
My mind changes again,
And you start it over… me.

Tuesday, November 2, 2010

A Nadadora



Eu não sei se ela nadava bem,
mas afundar não afundava.
Parecia mais estar dançando
uma espécie de balé aquático.
Talvez fosse atriz e ensaiasse
o movimento antes do desmaio
enquanto nadava de costas.
Talvez apenas nunca fora uma nadadora.
Talvez tenha faltado à aula de natação.
Talvez estivesse fazendo charme.
Quem sabe era só sua personalidade.
O que há de se notar é que
apesar do seu nadar tão despido
de técnica e eficiência
nadava poética inspirando-me
ao ponto de escrever-lhe versos.

Setembro, 23, 2010

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Tuesday, October 26, 2010

Essa Menina

Para a minha menina a quem eu faço reverência.
10/10/10

Era menina-diana, era banho de rio, era muita esperteza, era branca e singela, não fala sua estória sem mudar de cor.

Era um camaleão, capitão de um navio, era meio chuvisco, era forte, era deusa, até boa de bola, era coisa de ator.

Era uma lata de leite, era boba, er'azeite, era um disse-me-disse, era imaginativa, faminta, amiga, expansiva e ardor.

Era risada gostosa, um jeito de gente, violão plangente, lembrava uma nega, era pele de lua e tinha um cobertor.

Essa menina que ensina, que pensa  e que drama, mais canta, mais dança que um fim de semana, parece comigo, mas lembra uma flor.

Era poeta, engraçada, enfermeira ela  era, futrica, bisnaga,  ‘té boa de briga, era bola-de-gude, cansada semana ela sente uma dor.

Era feito porcelana, de ferro e de fama, talento de anjo, dos gregos a trama, até mesmo a questão  que enforcou Calabar.

Eu vi crescer do avesso essa moça, essa mana, que cuida, me mima, me escreve e declama, dirige as vidas do seu altar.

Quando eu passar essa fase me dá outra vida com essa menina que é bem resolvida, pois a eterninade não vai lhe escapar.




Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, October 25, 2010

A Aula de Dança

Ouvia música e era arrebatada, os pés se moviam suavemente e o corpo queria se entregar  aos acordes. A mente se perdia em devaneio, o coração palpitava e me fazia sentir renovada. Era amor, pensei. Precisava encontrar uma forma de libertar o corpo das cadeias da timidez, da auto-consciência, do olho do outro.
Encontrei uma escola de dança. Me inscrevi no curso de danças mais apaixonado possível. Sonhei com as aulas, me preparei. Comprei um vestido  com fitas vermelhas, uns sapatos cheios de más intenções, coloquei na minha bolsa o vestido, os sapatos e o coração.
Aterrisei no estúdio com brilho nos olhos, cabelos presos sem muita ambição, sorriso de lua e expectativas sem fim.
Quando o professor de dança chegou, nos explicou os princípios da dança e nos ensinou como contar. Ao ouvir tal heresia a dança se escondeu atrás do divã, a música tocou à força, os passos ficaram perdidos.
1,2,3,4,5,6,7,8.
1,2,3,4,5,6,7,8.
Aprendi a contar na aula de dança e a minha esperança se atirou pela janela. Meu corpo não sabe contar, quem conta são os matemáticos com sua mania de medir poesia. O meu corpo confuso não acertou sequer um passo. Frustração e um silêncio gélido me dominavam.
Fim de aula. O professor disse: “Se quiserem praticar podem ficar no estúdio.”
A música retomou o fôlego, e sem números dançando pelo ar, ela tocou delicada o assustado coração. Abracei o parceiro de dança e o corpo obedeceu seu comando. Eu podia agora dançar sem explicações, aquilo que jamais se poderá explicar.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.