Wednesday, September 9, 2020

Sobre O Que Queremos



Talvez a força que eu procuro não esteja aqui.
Talvez a força tenha se mudado.
O tempo secou as árvores e nem mesmo um dilúvio poderia reanimá-las. 
A força se esvaiu, virou outras coisas bonitas que não vemos mais. 
Ignoramos outras dimensões, outros ângulos. 
Somos ciclopes mentais, de visão muito restrita para compreender a realidade,
Outras camadas, outras inteligências.
A violência é nossa primeira resposta à tudo. 
A insinceridade é nosso refúgio.
A humildade seria a salvação, mas não queremos salvação.
Queremos mesmo é ser Deus.


Vanessa Aquino

04 nov 2019



About What We Really Want


Maybe the strength isn’t here. 

Maybe the strength is over.

Time has dried the trees and even a deluge wouldn’t reanimate them. 

The strength vanished, turned into other pretty things that we can’t see. We ignore other dimensions, other angles. 

We’re mental cyclopes, with a very restrained view to understand reality. 

Our first answer to everything is violence. 

Insincerity is our refugee.

Humility would be our salvation, but we do not want salvation. 

What we really want is to be God. 


Vanessa Aquino
04 nov 2019
Photo: Vanessa Aquino

Thursday, September 3, 2020

Sem Compaixão






Venhas rei, o soberano deus, o palatino

Contrito, ávido, heróico, carabino

Avançando terras que a morte ecoam, 

Onde nacos, grama, grãos e seixos voam

Das patas do teu pegasus cujas asas troam


Venhas vespertina estrela faminta de mil sóis 

o ventre pronto, a casta, a pura série de bemóis, 

Rondando nossos passos tímida raposa, 

Furta-nos futuro em ovos, crias… ousa,

Vem matar a sede que em nós repousa. 


Venta ventania com tirânicas feições

Imune, torpe, mórbida, até frustras furacões,

Estendem-te os braços damas e homens de bem

“Justiça contr’os maus!” nutrindo seu desdém 

Talham o teu sangue ao pronunciar: Amém!


Vem espessa nuvem, purga e batalha

Realizar dos homens este sonho de navalha, 

Deita o sangue de seus filhos sobre os olhos cegos,

De quem ensina o umbigo, o roubo, os grandes egos.

E deixes, que da compaixão eu m’encarrego. 


22 julho 2020


Vanessa Emmanuelle