Tuesday, October 26, 2010

Essa Menina

Para a minha menina a quem eu faço reverência.
10/10/10

Era menina-diana, era banho de rio, era muita esperteza, era branca e singela, não fala sua estória sem mudar de cor.

Era um camaleão, capitão de um navio, era meio chuvisco, era forte, era deusa, até boa de bola, era coisa de ator.

Era uma lata de leite, era boba, er'azeite, era um disse-me-disse, era imaginativa, faminta, amiga, expansiva e ardor.

Era risada gostosa, um jeito de gente, violão plangente, lembrava uma nega, era pele de lua e tinha um cobertor.

Essa menina que ensina, que pensa  e que drama, mais canta, mais dança que um fim de semana, parece comigo, mas lembra uma flor.

Era poeta, engraçada, enfermeira ela  era, futrica, bisnaga,  ‘té boa de briga, era bola-de-gude, cansada semana ela sente uma dor.

Era feito porcelana, de ferro e de fama, talento de anjo, dos gregos a trama, até mesmo a questão  que enforcou Calabar.

Eu vi crescer do avesso essa moça, essa mana, que cuida, me mima, me escreve e declama, dirige as vidas do seu altar.

Quando eu passar essa fase me dá outra vida com essa menina que é bem resolvida, pois a eterninade não vai lhe escapar.




Vanessa Emmanuelle de Aquino.

10 comments:

Anonymous said...

Mais

Ela é mais que sonho, mais que passo
de dança, mais que cantiga,
mais que esperança, mais que chuva de flor

mais que trama de novelo, mais que elo,
mais que chama no inverno, mais que lua,
mais que espinho, mais que licor

mais que vento na folha, mais que cuidado
de cobertor, mais que ninho
de passarinho, mais que amor, mais que amor!

M.D.Martins

Por que você faz poema? said...

Todas as eternidades
para a menina de porcelana.

Anonymous said...

O que é isso?
Estou cada vez mais surpresa com essa veia poética...
Está jorrando e brilha!

Obrigada por esse presente, belo! Saboroso! Sinestésico!
Um presente que me chega, não às mãos, mas à carne, às vísceras, à alma.
Um presente que recebo e que se torna parte de mim para sempre!
Obrigada! eu amei! Amei muito!

Como você está escrevendo bem!
Este poema ficou simplesmente perfeito, recorda, perscruta, revira, costura, ornamenta, revela... E presenteia com a cadencia, signos, elos, carinhos, cuidados.

Te amo! Sempre muito demais!!!
Obrigada!
bjs!

Anonymous said...

Ops!....
ass: A menina!

Anonymous said...

Ah, que bom foi ver crescer e conhecer esta menina
tão sincera e autentica, tão diferente, tão divina
tão talentosa, tão teimosa,tão obediente ,tão menina.

carater lhano,cheia de sonhos,cheia de vida,cheia de planos

Mas cresceu a menina; se foi a inocência...
nasceu a mulher; chegou a consciência...
mas guardou-se no peito no fundo da alma
o brilho da infância da doce menina
o brilho que mostra no olhar da mulher
a marca tão forte da menina que és.

Um beijo enorme pra voces primas.
com carinho: RO

Anonymous said...

poetisa prima você me inspira. tk's
bjs Ro.

sampietro said...
This comment has been removed by the author.
sampietro said...

Por isso que adoro esta menina !
Lindo Manu !

menina said...

TKS EVERYBODY!

Oi querida criatura de olhos verdes! Obrigada!
Você diz: "a marca tão forte da menina que és" então é porque me conhece e percebe muito bem.
Em mim é impossível evitar, de fato, a menina. Na verdade ela permanece, acima da mulher, acima de um ser designado "gente grande".

A menina não conseguiu perder seu universo lúdico ou se esvaziar do olhar hipnotizado, entusiasmado e crédulo sobre a magia das coisas pequeninas e simples da natureza.
A menina fica quieta lá dentro sentada em um banquinho de madeira, olhando assustada pelo buraco do umbigo... De repente... Ela ri, morre de rir rindo à toa!
Mas, é inquieta mesmo, não se adéqua ao banquinho, e me escapa, sempre, pelo clown... Não gosta de moda, nem de lições, nem injeções ou gessos, ditados ou banquinhos. Adora pular, gritar, cantar, rolar então, nem se fala!

Ela, não tenho como esconder, possui uma energia incontornável e isso queima...
Mas, quando alguém xinga, chega a autoridade e aí ela vê o chinelo....
Corre... Senta depressa no banquinho, finge que está de castigo, mente que não existe. Só, que não dá conta... Daí a pouco aparece um sorriso silente na sua cara, o olho arregala e ela olha pelo buraquinho... Risonha, pois sabe, não demora sua próxima travessura.

E a mulher?
A mulher não se importa, porque sabe que menina é sua força. Uma força delicada que se parece com bolas de sabão, transparentes, mas, ao mesmo tempo coloridas e "reflexivas" que se multiplicam, estouram se misturam ao universo. Aliás, ela adora as bolinhas de sabão, porque elas correm diariamente por suas artérias fazendo cócegas é por isso ela também ri.

Te adoro!
Beijos lambuzados de pirulito zorro!
E pão com manteiga (adoro pão com manteiga)!
ass: Menina

Vanessa said...

Ai... essas meninas! Quase morro de paixão!