Tuesday, July 31, 2012

Mission


I'll give you the keys to open the doors,
I'll give you the keys...
I'll tell you the secret to find the doors,
I'll tell you the secret...
I'll show you the path that leads to yourself,
I'll show you the path...
I'll leave.

Vanessa Emmanuelle

Eu te darei as chaves para abrir as portas,
Eu te darei as chaves...
Eu te darei o segredo para encontrar as portas,
Eu te darei o segredo...
Eu te mostrarei a passagem que leva a ti mesmo,
Eu te mostrarei a passagem...
Eu partirei.

Vanessa Emmanuelle.

Jan, 30, 2010

Photography: Allan Nielsen

Saturday, June 30, 2012

História De Um Clown Repetente


Era uma vez um palhaço,
que por ventura chorou.
Pôs no pescoço um laço,
pr'acabar com a dor que o tomou.

Com coração de um menino,
ingênuo, o clown não sabia,
que o mundo era tão ferino,
e que o amor não existia.

Porém,

De tão distraído que era,
o clown percebeu uma rosa,
brotando do chão como hera,
sorriu, esqueceu, ficou prosa.

Um dia de flor se lhe abriu,
em quedas e saltos brincou,
palhaço-menino sorriu,
amor de verdade criou.

Rosa e clown se entendiam
eternos amantes do dia.
Os dois em pureza se riam
até quando não se podia.

Se o vento corria de lado,
o clown se punha de frente.
Se a rosa gritava: tarado!
Corria o clown do demente.

Depois com vergonha voltava,
Pedia da rosa o perdão,
Apesar de brava que estava,
a rosa nunca dizia não.

Se o clown já vinha encrencado
com um cão vadio e louco.
A flor defendia o coitado
com espinhos e jeito amouco.

Assim foi a história amorosa
d'uma rosa e seu palhaço
defendendo-o, cavalheirosa,
aninhando-o em seu abraço.

Mas, eis que em toda história,
o evento paradoxal do fim
imortaliza com lágrima e glória
o amor de qualquer serafim.

O tempo passou pela flor
que a roda do tempo marcou.
Pétala a pétala de dor,
nosso saltimbanco desolou.

Seu corpo pesou como aço
pressionando a flor contra o peito.
Antes um feliz palhaço, 
agora um misérrimo é feito,

Eis que a corda, seu baraço
do qual a rosa lhe salvou,
seguia aguardando o palhaço,
que novamente a encontrou.

Corda e pescoço, um embate.
Se arma a trágica penumbra.
Mas, logo na hora do abate,
não é que o clown se deslumbra?

Uma pequena andorinha
pousou na corda, displicente,
bicando-a como erva daninha,
mirando o clown repetente.

O clown lhe sorriu meio tímido
E mudo se lhe esboçou,
que tinha o coração túmido
e a ela o clown se entregou.

Vanessa Aquino.







"Os clowns são puros, ingênuos e sempre se distraem com coisas simples." (Ketely Aquino)



Monday, June 18, 2012

conexões


Ele ligou, mas era engano
Eu atendi, era reclamação
A ligação não foi completa
Chamada international
é coisa incerta.
O celular vibrou, ignorei
O telefone toca, eu não estou.
Tirei do gancho para meditar.
Menino! Desliga esse celular!
Tem boi na linha,
Linha cruzada,
Sinto saudades,
Telepatia e carta.
07/ October/10



Thursday, June 7, 2012

Enquanto Ilumino a Noite

Quando eu era uma menina, eu tinha a graça de absorver o céu com os olhos.
Olhava e olhava sem me cansar. Decorava o céu e encontrava minhas estrelas favoritas.
Vez em quando aprendia o nome de uma constelação. Mas o que eu gostava mesmo era de imaginar histórias, dar nome às minhas próprias constelações, namorar a lua, ler poemas de lua, escrever com seus raios prateados a minha história de amor com a vida.
Eu queria ser a lua e ser noturna. Passava as noites em claro ouvindo Lua Branca de Chiquinha Gonzaga e me punha por trás dos cadernos querendo dormir.
Eu era a lua, eu era a lua...
Um dia, de tanto acreditar, surpreendi a lua lá no dia... e eu aqui iluminando a noite...

Vanessa Aquino.



Saturday, April 21, 2012

Boston Sweet Home

While guys go by and girls get along
People ask me why I'm alone...
...Perhaps I left my heart and desires back home.

Vanessa Emmanuelle.




Wednesday, April 11, 2012

Em Si Bemol

Para Thiago Faioli

Tu és,
meu Manoel de Barros em Si bemol.
Decifrar-te a impossibilidade em verso
aninhada nas nuances dos teus tons é vão.

Amei-te ouvido e boca e nunca mãos,
Nós nunca nos tocamos mais que a alma
Queria nos despir da aura, intrínseca poesia
Amar-te funda e lenta'té tocar-te a carne.

Vês que a cultura e a boemia
Tão pouco nos uniu, posto que a vida
é mesmo um gira-gira e nos sugou
matéria e féria então nos apagou,
da mente o que se sente
e nos matou.

Vanessa Aquino.





Thursday, March 8, 2012

Night Rescuer

Silence, silence...
As I walk over a trail I turn up to the top of a hill 
finding myself face to face with the sun. 
I want to make sure I reached the highest point of the hill so I look around. 
There's nothing higher than the rock I'm standing on.
A chasm spreads out at my feet.
I notice all leaves are dead and all birds are quiet. 
Stillness is in the air and every single form of life finds comfort now, 
as if everything was resting because nothing in the entire world would have to fight to stay alive
on this brief moment...
Life is still...
I look again and the sun is setting,
I witness its private moment,
its ritual of undressing colors,
its last yawn.
Blue, green, yellow, all the  dressing tones of the sun are one by one thrown through the air now filled with a divine spectral composition.
Yellow linens of air mixing with orange sparks reach the violet clouds softly permeating the king of light.
Then all the hills and mountains go black, brown and navy blue. A wavy royal bed is set for the king.
A king that hides behind the mountains to then, relentless rescue us from darkness
again, again and again.

Vanessa Aquino.

Sunday, March 4, 2012

Esta mulher






Essa mulher que é bicho, 
que feroz me arranha por dentro 
às vezes foge o cativeiro,
se banha desnuda no riacho,
se exaspera com facilidade,
xinga a mãe e o pai dos outros,
sai da dieta, dorme até tarde,
caça os homens pra comer depois.
Essa mulher, essa aranha, essa manha,
mora dentro de mim e eu a mantenho presa, 
cativa, tentando domá-la,
acalmá-la, conquistá-la. 
Não! Não é por mal que a fiz prisioneira,
é por ser insaciável.
Ultrapassaria os limites,
comeria até explodir, 
transaria até se esfolar,
dormiria até se esquecer de acordar.
Ficamos assim eu e ela, meu eu interior,
meu deus interior, meu meu, 
meu eu solamente.
Ela tentando me ensinar sobre os prazeres da liberdade,
as vantagens de não ter disciplina,
os benefícios do desmazelamento.
Enquanto eu a conduzo pelas frias mesas da rotina, 
com hora, local e justificativa 
pra tudo o que fizer.
Faço sem entender direito porque é tão importante ser assim
se me cativa tanto mais descobrir as maneiras desta mulher.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, February 20, 2012

Nuevos Aires





















Estou mudando de pele,
Estou mudando de ares,
Estou sonhando outros sonhos,
Quero ir pra Buenos Aires!

Vanessa Aquino.

Sunday, February 12, 2012

Filme de Terror



Eu vi uns zumbis horrendos saindo da terra outro dia na tevê.
Logo pensei...
Quem imaginou isso não deve nunca ter visto brotar uma flor,
despontar o capim, nascer o amor.
Como poderia a terra, que tantas coisas lindas e apetitosas traz à luz,
trazer o inacabado, o carcomido e mulambento pensamento teu, senhor escritor?

Vanessa Aquino.
Foto: http://www.blackjungleterrariumsupply.com/Carnivorous-Plants_c_17.html