Sunday, February 15, 2009

Sobre a canção

O lavrador de café - Cândido Portinari

Meu coração canta, canta uma canção plangente, sobre o mar, sobre o sol, sobre a lua crescente.

Quem canta encanta a própria alma, ajuda as plantas a crescer, faz as crianças sonhar, altera o ego das moças, embala os sonhos dos velhos, amolece o coração dos homens.

não me canso de cantar e a cada pedra em que esbarro, quando o lusco-fusco dos passadiços tenebrosos da vida me cercam, eu canto com o coração.

Me lembro de um dos mais belos títulos de livros que já vi. O livro de Thiago de Mello nem precisava por mim ser lido, aprendi a lição ali, na capa: Faz escuro mas eu canto.

"Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.

A noite já foi mais noite,

a manhã já vai chegar.

(...)

Madrugada camponesa.
Faz escuro (já nem tanto),
Vale a pena trabalhar.
Faz escuro mas eu canto
Porque a manhã vai chegar.”

As razões para se cantar podem ser inúmeras, o canto tem que ser de fé. Afinal, quem nunca cantou para assustar alma penada? Eu já! E quanto mais alto melhor!

Não que eu saia assustando todos os vizinhos com minha voz nas frias manhãs de inverno sempre, às vezes eu canto baixinho, ou com o coração.

E as almas penadas na verdade são essas mesquinharias feitas de mentes fechadas, são a não aceitação de um mundo diferente, são o enclausuramento no que achamos ser real, são as contas que temos que dar das nossas vidas à sociedade (e será que temos?), são o não entendimento sobre o canto meu e o seu.

Não te desatine a indisposição daqueles que se ofendem ao ouvir o seu canto. O que é mais importante é que você cante, sem se dar por conta das almas penadas que ficam por ali, tristes por não poder te tocar.

Como explica o Chico, qualquer canção é canção, qualquer canção pode embalar seu coração!

"Qualquer canção de amor
É uma canção de amor

Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção

Nos toca o coração

O amor brota melhor e antes

Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado

Porém ainda é melhor

Sofrer em dó menor

Do que você sofrer calado.

Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama

E essa canção também

Corrói, como convém,

O coração de quem não ama
." (Chico Buarque)

Vanessa Aquino

1 comment:

Anonymous said...

"às vezes eu canto baixinho, ou com o coração".

A minha vida é uma canção, como todas as outras também são.

Com acordes maiores quando estou feliz, e com acordes menores em dias de tensão.

Mas a minha canção é sempre com o coração, e acompanhada de um violão.

Eu canto por todo o canto, e me espanto com tanto desencanto, pois não sabem mais ouvir, o prazer que se tem ao dividir.

por isso, vou partir, mas no final de cada canção, sempre me levanto, para ouvir uma nova composição.

Palavra gera palavra,
Grandes considerações
Renilton Vilela