Tuesday, August 18, 2009

Got a question?


What is family if you don't care more about them than about yourself?
What is friendship if you don't spend your time with your friends?
What is love if you don't deny yourself your own wishes to please someone else and still be the happiest person ever?

Friday, July 31, 2009

Amor de infância


Na última vez que o vi éramos crianças

Me lembro o olhar que tinha

Meu cabelo a hipnotizar seus olhinhos tontos

Tontos de desejo e éramos apenas crianças


Eu ainda que envergonhada pegava sua mão

Sentia seu coração tremer.

Ele se calava e eu sorria

O vento nos libertava da nossa tensão.


Brincávamos de ser o futuro

Imaginávamos sermos os heróis que hoje somos

Mas não imaginávamos esta distância

Éramos inteiramente um do outro


A infância terminou, o sonho adormeceu,

Ele se mudou, eu me formei

Encontrei com ele na rua, eu disse “Olá!”

Ele eu não sei.


Só sei que éramos crianças

Exatamente em algum lugar do passado, na recordação.

No presente momento, no futuro encontro,

No mundo todo e na imensidão.


July 09, 2009.

Vanessa Aquino.

Monday, June 29, 2009

The Beginning - O início

Contos de Passarinho

Naquela manhã de Abril, avistava-se, construído na beira de um telhado, feito cuidadosamente de capim e gravetos, um pequeno ninho . A delicada estrutura, ainda que possuindo muitas arestas, escondia dentro de si um terrível tesouro.
Pintado de marrom escuro em claro fundo, o pequeno ovo deitado ali no ninho não parecia mudar muito sua aparência no decorrer dos dias, mas lá dentro, protegido atrás da fina casca, escondia-se um milagre, um segredo, uma mudança.
Dentro do ovo gema e clara se encontravam, se tocavam, se mesclavam, se transformavam. Aquela pequena casca de ovo trazia dentro de si um início, o início de todas as idéias, de todos os desejos, de todos os segredos construídos. Era um início que apenas necessita de um pequeno vazio para engravidar.
A medida que crescia, o pequeno início tomava forma, criava asas e se preparava para viver em outra esfera. A frágil casca que o suportava e continha, preparava ali um ser que fora designado para viver não dentro e sim do lado de fora de si, como se fosse óbvio que tudo aquilo que cresce devesse então passar para outra esfera... ainda assim, a prática óbvia da vida não parece esclarecida suficiente à maioria dos seres viventes.
Quando estas duas palavras:gema e clara, se tornaram carne, poderia-se dizer que existia ali um pássaro. A pequena ave, ainda tão diminuta, não era ainda conscientemente um passarinho. Era ainda preciso esperar que desejasse ser passarinho, que quisesse voar, que quisesse mais do que o conforto e a proteção da pequena casca. Ainda era cedo demais para que passarinho e alma de passarinho estivessem juntas em um só.

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Sunday, May 17, 2009

About the Journey




Do you wanna bet I'll die before you?

Who would say that? It could be so random to hear it, but people are saying it all the time. Dying is not just about not being in the world, it's a lot more about not living with your entire soul and succumb inside because you're too busy doing what society wants.

The blindness of social status have got most people so hard it's even impossible to notice how wrong they are about the way life's been lead by the power of Occidental society full of targets, goals, impressions and pretension.
Macro or micro universes are usually full of this race to die first when what really matters is the journey...

Suddenly I was on this race, people were rushing on their way towards "The Goal". Everyone was wearing a colorful shirt saying: I'm cool because...! I guess each one would complete the phrase the way they think it would be more impressive. It was a long walk, something about a lifetime.
Some people were prepared wearing nice walking shoes, light clothing and light backpack containing extra clothes and some provision. Some were wearing jeans, boots and heavy coats... well, who knows how the weather will really be?
Right at the beginning some people were rushing, trying to get in front of the others on their way.
Almost everybody walking was part of a flock, team or couple. As I was part of one group I was trying to stick together and the group, as well, was rushing. I found it uncomfortable because when I walk I like to contemplate what is around... but there was no time, there were a bunch of checkpoints to stop by, people and teams we would have to pass, miles to count, the goal to reach, the sweet ice cream to catch at the end and everything to prove you did your journey according to the rules.
Well, - who cares about the rules? - I wonder and 30 thousand people would say: "I do!" My surprise is to see that so many people would rather hurt themselves instead of taking a break. What is wrong with that? What is the purpose of it? "There's a purpose!" - They say, but not a reasonable one. At the end they always wonder: Who has arrived first?
Keep walking! - The signs on the way were saying and I was wondering if we know already where the end of the journey is and how it is, why not slow down and smell the flowers, appreciate the landscape and feel more pleasure from your walk. Some people make fun of it and can't understand that the journey is more important than the arrival.
I'm happy that I could sit down under the charming short trees by the river and that I took time to see the details of the houses around... unfortunately, most people just at the end, when they are very tired decide to slow down and pay attention to all the beauty life brings us and they can't remember how beautiful it was the whole time.
Everybody gets to the end, the well-prepared people, the not-so-well-prepared ones, there's no reason to race but they keep betting, playing games among themselves. Everybody plays the games and races...boyfriends and girlfriends, parents and kids, siblings, bosses and employees... but every single person gets to the end and surely they are all exausted. Tired of the walk, of themselves and tired of the games.
Sadder than that is to see in their eyes the deception when they realize, (if they realize), that they have finished the walk without seeing how beautiful the garden was or, how greatful the smell of the blossom tree was, when the sweet ice cream was not so sweet and not so important to make it worth it to race and miss those moments we sometimes call life.


Vanessa Emmanuelle.

Photos: Vanessa Emmanuelle and Viviane Souza.


Friday, May 8, 2009

Sobre a Mágica Palavra


Eu não sou poeta, sou uma encantadora
Encanto com palavras o que é morto e incolor
Sopro as palavras ao vento
E como bolhas de sabão elas encontram olhos infantis que querem brincar
Eu falo do amor onde vejo miséria
E da miséria onde há amor
eu faço da distância a corda que me puxa
e da saudade a força que me empurra
Eu não sou poeta, sou mágica,
Com a chave certa abro a caixa encantada que guarda o seu coração.
Eu desenho rios, lagos, cachoeiras, delícias que inundam a alma
palavra por palavra na sua imaginação.
Voce me lê e eu te descubro
colorido ser entre a paisagem.
Ah! Que bom seria se tudo fosse poesia
Pois eu sei bem que a força única que materializa o dia
mora em você e mora em mim
e pode ser falada, escrita, lida, ouvida
Eu não sou poeta, sou alquimista
misturo as palavras que te fazem borbulhar
e de ti fazem nascer borboletas furta-cor.

Thursday, April 30, 2009

Birthday


I wanted to give you a flower
Any daisy raised by the road
That could tell you about my love
Even though there was nothing being said.
I wanted to put together all the mornings, all the sunsets
All the fallen stars, all the smiles, tears and forgetfulness
All the hugs, all the coolness
All the enthusiasms that we could never live together
And give them to you on an infinite moment
As a way to return what we cannot live anymore.
I wanted to catch some rain with you
Just to remember
That the price we pay for living
Is the waiting for all is given to us for free
And not this ingrate quotidian we chose as routine.
I really wanted to give you a kiss and a smile
Even for a brief moment
Even as a unique one
Because other way I cannot see to dedicate
Mind, body and soul
To the one who hurts, without purpose, my own heart.

Vanessa Emmanuelle. July 2006
Translated by Vanessa E. Aquino.


Aniversario
Queria dar-te uma flor
Margarida qualquer nascida na estrada
Que pudesse dizer do meu amor
‘Inda que não dissesse nada
Queria somar todas as manhãs, todos os pores-do-sol
Todas as estrelas jogadas do céu, os sorrisos, lágrimas e esquecimentos
Todos os abraços, os arrepios
E entusiasmos que não vivemos juntos
E dar-te-os em um infinito minuto
Como forma de retornar o que já não se pode viver.
Queria eu tomar contigo um banho de chuva,
Apenas para relembrar
Que o preço que se paga para viver é a espera pelo que nos é dado de graça
e não este cotidiano ingrato que escolhemos como rotina.
Queria mesmo dar-te um beijo e um sorriso,
Ainda que por um breve momento
‘Inda que unico,
Porque outra maneira nao vejo de dedicar
a mente, o corpo e a alma a quem machuca
sem querer o nosso coracao.

Vanessa Emmanuelle de Aquino.
July 2006

Friday, April 24, 2009

Sobre as especiarias metafísicas


Tenho tantas conexões com pessoas tão especiais que nem distância, o tempo ou o universo inteiro desanima, desbota ou engana esta afeição.
Às vezes nos falamos, às vezes nos lemos, às vezes nos pensamos, às vezes telepatia encaixa, às vezes o coração encolhe... tem muito amor, mas tem mais... as palavras são poucas demais.
Vem, conta a sua história que eu quero ouvir. Sua história é agora minha também e a nossa metafísica desenha o caminho pra nós. Que bom ter vocês aqui e no lá do lado de lá. Quem conecta sabe do que falo, quem não conecta não termina de ler... não tem problema, hoje é pra vocês que sabem do que fala a essência do meu coração.

Aqui um pequeno poema, se me permitem... é de uma conectada, desde a minha infância muito estimada...

PRA VOCÊ

BORBOLETA,BORBOLETA QUE SINGELA ÉS, QUE GRACIOSA, QUE ENCANTO.
COM A LEVEZA DE UMA BOLHA DE SABÃO BAILA NAS CORES DAS FLORES
E MARCA OS CORAÇÕES.

ÉS TÃO PRIVILEGIADA DE POUSARES DE FLOR EM FLOR
TODAS TE QUEREM, TODAS TE ESPERAM E PARECE DIZER:
VEM BORBOLETA VEJA O QUE GUARDEI PRA VOCÊ.

QUE AFORTUNADA TU ÉS DE DESFRUTAR COM TANTA INTIMIDADE
DO PERFUME DAS FLORES, DA BELEZA DOS JARDINS, DE SER UMA
BAILARINA NOS ARES DE TER UMA BELEZA SEM FIM.

*AÍ MANU FOI FEITA ''PRA VOCÊ'' COM MUITO CARINHO.
OBRIGADA POR ME INSPIRAR.



Obrigada pelo carinho.

Emmanuelle Aquino.

Wednesday, April 15, 2009

About timing


Timing is hard… I’ve been thinking about what would be the right time. What’s the right time to wake up, the right time to call a friend, the right time to dream, the right time to start something new?
As spring comes, rain is necessary, there is the right time for the rain, and there is the right measure. If there’s rain after or before the right time, some flowers will never bloom. Maybe the very necessary flowers will never bloom.
Then, if you wake up too early you’ll find the world too dark and you’ll get tired soon. If you call a friend at any time, he might talk to you, but if you call him when he really needs you, he’ll count on you. If you dream your dreams at the right time, they may come true, otherwise they can turn into a nightmare and this is the same with the new things you want to learn… to learn you have to be ready, otherwise you’ll just spend time.
Timing… leaves wait for the flowers to bloom, fish wait for the right moon to sleep together, farmers wait for the right time to sow...
What happens if you learn what you shouldn’t have learned at this very moment and that makes you wake up for a world that you were not prepared for and any friend calls you on this moment that you need them so much and your dreams become endless nightmares?
I believe for every mistake on your timing there’s a new chance to recalculate, but that demands willingness. Does everyone have that? Recalculating can be really painful, so we better become experts in timing and patient learners to understand some mistakes that will certainly come.
Now, if this is not the perfect time to start or to finish, to dream or to wake up, to say something or to be silent, what should we do with the time we have?
While we wait it’s necessary to get ready by knowing yourself better. Think more of yourself, enjoy yourself, inquire yourself and spend time on your own. This way you’ll know your limits and how great you can be as a company to someone, how much you love something new you’re willing to start, or when you should start dreaming to wake up at the right time.
Timing is hard… it takes knowing deeply your own processes to understand when you need some rain, some solitude or the sunny power of a smile.
Vanessa Aquino.

Friday, March 27, 2009

Scene for an eternalized love



I love you
Every time the moon rises
At every day that rests far away
Behind the city…
I love you,
And it doesn’t matter if the dusty clouds
Insistently hide our sky
To me the stars are always shining
The sunset is always a suicide of the day
To be born pure tomorrow…
I love you,
And even knowing that the moon
Belongs to all that are in love
It doesn’t matter…
The moon I see is another one,
It’s mine and it’s yours
Nobody cares more about the stars than us
Nobody waits for the sunset
Nobody notices that our sparks are the ones that enlighten the sky
I love you
And the sun lies down on my bed
With desires of waking up
And being you.


Vanessa Aquino.

Translated by Vanessa Aquino.


Wednesday, March 25, 2009

Sobre a sociedade


Estava eu vitoriosa pelo caminho quando um menino triste e barrigudinho parou meu mundo.
Querendo eu passar, rapidamente tentei desviar, mas o menino tinha uma pedra e a pedra no meu caminho.
Tentei não olhar, sai da calçada e a rua eu já ia alcançar e ele passarinho não me deixou passar.
Mudei a direção e resolvi voltar para o destino que eu antes deixava. Suas palavras me bateram como um tacape na cabeça.

-Então preferes regredir, a me encarar. Eu sou o teu futuro e não me cuidas. Eu sou o teu faminto e não me alimentas, eu sou quem vai decidir e não me ensinas. Porque é que é tão difícil dar amor? Tu queres ser amada, mas não amas.

Fotos: Sebastião Salgado

Vanessa Emmanuelle de Aquino.

Monday, March 23, 2009

Sobre a Empatia


Estando eu atravessando a rua, via um molambento que descia a rua
Acostumado ao mau cheiro e à escuridão que lhe aprisionava a pele,
passou por mim como se eu não estivesse ali, embora eu não pudesse ignorar sua presença.
Não é que me incomodasse as narinas, nem porque assustador me parecia,
mas é que do outro lado eu ouvia entre gracejos a zombar uma mulher:
-Porque não toma um banho este homem? Não vê que é um incomodo ao bom gosto?*
E a arrancar-me a pele estas palavras, vestidas de estupidez e maldade, fizeram-me ponderar no meu caminho.
Não é que esta ignóbil moça nem lembrava, que banho um sem teto pode ter, que sabonete um maltrapilho compraria, se ele já nem tem o que comer?
Pensei que sua mente fosse suja, mais suja que aquele pobre mendigo, que antes de compaixão e bons modos, só lhe passa o bem estar que quer pra si. Tão torpes, tão vis são suas falas, que me enojaria mais tocar suas mãos, do que a boca deste pobre eu beijar.
Ainda no caminho eu me voltei, propondo a tal mesquinha que voltássemos a procurar tão sujíssimo sujeito. A ele eu daria um sabonete e ela lhe ofereceria o banheiro.
Chamando-me de louca e mentecapta, pergunta que absurdo lhe faria, abrir as portas de sua linda casa, a um imundo homem como aquele.
Eu lhe respondo, sem pestanejar, que a idéia não partiu de mim. Que antes se o queria limpo, como dissera em alto e bom som, que fosse então a primeira a cooperar com a doce realização de seus desejos.
E pela primeira vez, daquela boca, brotou uma frase que caíra nos tímpanos do senso crítico, como algo agradável e lúcido:
-Não sei por que motivo falo essas coisas. O melhor mesmo é eu ficar calada!

Vanessa Aquino.

*Agradecimentos ao meu pai, que me iniciou nesta história.

Friday, March 13, 2009

Sobre a Burocracia Celestial


Fui à igreja falar com Deus... mas quando lá cheguei percebi que havia uma grande revolução acontecendo. Primeiro os padres posicionados em seus guichês, ou confessionários, me perguntaram se eu estava devidamente vacinada e batizada. Como eu não esperasse tais requerimentos, me vi obrigada a voltar para casa e tentar n'outro momento.
Como não achasse meu certificado de batismo, retornei à igreja apenas com meu atestado de vacina contra tétano e uma foto do meu batismo. Os padres não aceitaram, disseram que eu teria que ir até o limbo tentar tirar um "nada-consta" para ter certeza de que eu não tinha um pezinho no limbo.
Quando cheguei às portas do limbo, entre a era e o musgo que lá cresciam eu consegui ver apenas uma placa dizendo "Fechado pela lei Papa Ratz 123 Artigo13 de 2007". Quase morri ali mesmo de susto, mas como eu sou mesmo teimosa, decidi continuar a maratona burocrática.
Decidi ligar para o Vaticano e do pouco italiano que sei, entendi:

Disque 1 para taxas e pedidos de canonização;
Disque 2 para arrependimentos e penitências;
Disque 3 para verificar se seu perdão foi rescindido...

Transtornada, parei de ouvir a secretária paroquial e fui até o serviço de informações da igreja mais próxima, mas lá chegando havia uma fila imensa. Para ter certeza de que eu não estava na fila errada, comecei a perguntar aos que estavam na minha frente se essa era a fila de informações gerais. Eles me disseram que era a fila certa e disseram também que eles eram bebês, já então crescidos - afinal, são mais de 800 anos -, que passando pelo limbo, - agora fechado - tinham que preencher alguns papéis junto a Comissão Teológica Internacional e aguardar a decisão sobre onde eles deveriam ficar, pois de qualquer forma, a possibilidade de ir para o céu ainda não era totalmente esclarecida.
Como eu estivesse estarrecida com tudo aquilo, saí pela escada de emergência e me deparei com uma multidão que se preparava para fazer um protesto surpresa contra a excomunhão dada deliberadamente por padres, bispos - o clero em geral - que NEM SEMPRE dão mesmo bom exemplo, seja em demonstração de amor e compreensão, como pregou Jesus, seja no rompimento do voto celibatário, seja molestando menores de idade e maiores de idade. Deixei passar a manada, que era liderada por uma inocente menina de 9 anos e chegando eles no salão principal foram excomungados novamente; o que criou um novo problema. Até então não se sabe para onde encaminhariam aqueles que são excomungados duplamente.
Como era de se esperar, acordei do meu pesadelo e respirei livre e feliz por não ser verdade parte do que eu sonhei. Lembrei-me de que fomos nós, os seres humanos, que criamos burocracias e que os homens são mesmo muito presunçosos se acham que podem delimitar Deus e até fechar e abrir órgãos regulatórios no céu e na terra.
Quanta preguiça eu tenho dos homens... que delimitam o que transcende o limite, que colorem o que não tem cor, que valorizam o que não conhece valores, que discursam o que não conhece partidos, que empobrecem com a própria imagem o que não está preso à forma, que matam o que não conhecem ou não reconhecem como a própria idéia que criam dentro de si e chamam de VERDADE.
Se Deus fosse político, nós pagaríamos impostos, se Ele fosse religioso, nós pagaríamos impostos, se Ele fosse parecido com o homem, nós não estaríamos aqui, mas teríamos pago impostos. Fico imaginando que Deus deve se sentir como nós nos sentimos quando abrimos a caixa de correio e encontramos uma dezena de folhetos dizendo que nós precisamos de um novo cartão de crédito, que a nova loja do shopping tem promoções que nós PRECISAMOS ver ou que o seguro de saúde agora mudou as regras e vai requerer uma passagem em um novo departamento... nós não pedimos nenhum desses serviços, mas eles juram que são a nossa cara.
Não quero dizer que o que penso acima se limita à igreja católica, mas a qualquer igreja que distorce as idéias de uma doutrina em favor de resolver caprichos e em lugar de dizer "somos humanos e erramos sobre essa ou aquela opinião".
As igrejas hoje estão apinhadas de homens, seres - afastados do conceito - humanos que não aceitam o erro e a fragilidade da condição humana. Sobem lá no alto, no seu pedestal de soberba e ditam regras, fecham e abrem departamentos no céu, vendem vagas e até decidem o seu caminho pós-morte só faltando dizer : "Eu sou deus!"

Vanessa Aquino.

Sunday, February 15, 2009

Sobre a canção

O lavrador de café - Cândido Portinari

Meu coração canta, canta uma canção plangente, sobre o mar, sobre o sol, sobre a lua crescente.

Quem canta encanta a própria alma, ajuda as plantas a crescer, faz as crianças sonhar, altera o ego das moças, embala os sonhos dos velhos, amolece o coração dos homens.

não me canso de cantar e a cada pedra em que esbarro, quando o lusco-fusco dos passadiços tenebrosos da vida me cercam, eu canto com o coração.

Me lembro de um dos mais belos títulos de livros que já vi. O livro de Thiago de Mello nem precisava por mim ser lido, aprendi a lição ali, na capa: Faz escuro mas eu canto.

"Madrugada camponesa,
faz escuro ainda no chão,
mas é preciso plantar.

A noite já foi mais noite,

a manhã já vai chegar.

(...)

Madrugada camponesa.
Faz escuro (já nem tanto),
Vale a pena trabalhar.
Faz escuro mas eu canto
Porque a manhã vai chegar.”

As razões para se cantar podem ser inúmeras, o canto tem que ser de fé. Afinal, quem nunca cantou para assustar alma penada? Eu já! E quanto mais alto melhor!

Não que eu saia assustando todos os vizinhos com minha voz nas frias manhãs de inverno sempre, às vezes eu canto baixinho, ou com o coração.

E as almas penadas na verdade são essas mesquinharias feitas de mentes fechadas, são a não aceitação de um mundo diferente, são o enclausuramento no que achamos ser real, são as contas que temos que dar das nossas vidas à sociedade (e será que temos?), são o não entendimento sobre o canto meu e o seu.

Não te desatine a indisposição daqueles que se ofendem ao ouvir o seu canto. O que é mais importante é que você cante, sem se dar por conta das almas penadas que ficam por ali, tristes por não poder te tocar.

Como explica o Chico, qualquer canção é canção, qualquer canção pode embalar seu coração!

"Qualquer canção de amor
É uma canção de amor

Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção

Nos toca o coração

O amor brota melhor e antes

Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado

Porém ainda é melhor

Sofrer em dó menor

Do que você sofrer calado.

Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama

E essa canção também

Corrói, como convém,

O coração de quem não ama
." (Chico Buarque)

Vanessa Aquino

Saturday, February 14, 2009

Cenário para um amor eternizado

Eu amo você,
cada vez que a lua nasce
Cada dia que descança ao longe
atrás da cidade...
eu amo você,
e não importa se as nuvens de poeira
insistem em tampar o nosso céu,
para mim, as estrelas sempre brilham
o poente é sempre um suicídio do dia
para nascer puro amanhã...
eu amo você,
e ainda que a lua seja
de todos os apaixonados,
não importa...
...a lua que vejo é outra,
é minha e é sua,
ninguém se importa mais
com as estrelas do que nós,
ninguém espera o sol se pôr,
ninguém nota que as nossas faíscas
é que iluminam o céu...
eu amo você...
e o sol se põe na minha cama
com desejos de acordar
e ser você.


Vanessa Emmanuelle de Aquino.
2003

Happy Valentine's Day!!!


Thursday, January 1, 2009

El Leoncito - Argentina

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