Saturday, September 1, 2007

Sobre a repetição do que chamamos amor

E o que é esse amor que eu sinto senão a repetição de um sonho humano de se completar com outro ser. A minha história não é a única, nem a primeira, nem a última, ela é apenas uma repetição de todos os dias de todos as pessoas que vivem suas vidas além da tela de computador.

Todas as histórias são contadas da mesma forma, a história se repete, as decepções vêem para todos, os grandes encontros, as grandes declarações de amor, as surpresas, as dificuldades só mudam de endereços, de feições, de pares que tantas vezes são Pedros, são Julianas, são Marcos ou Lucianas. Talvez o único amor verdadeiro, genuíno e eterno seja aquele que não vivemos, porque não colocamos por cima desse amor as dificuldades da vida, não o algemamos na cela dos pagamentos de contas, dos desprazeres da vida, da falta de cooperação na arrumação da casa. O amor não é humano, o amor é divino e misturá-lo com as invenções humanas seria no mínimo covardia. Viver um amor é viver no princípio de prazer, se por ele passeamos por muito tempo, ele se desencanta e pálidas se fazem as bocas e cedo adormecem os olhos de quem antes não os podia fechar, tão ardentes eram os desejos de viver o amor. Eternizar o amor é conseguir equilibrar dois mundos sem os misturar, um é divino ou outro é mortal. E no entanto só eternizaram o amor aqueles que por ele morreram, aqueles que foram separados, aqueles que seguiram seus caminhos sem se virar para o amor, aqueles que não o puderam concretizar até o fim, porque o fim é quando a gente percebe que o amor da gente também possui defeitos, defeitos que odiamos e o amor de ontem passa a ser o ódio de hoje e o choro de amanhã. Isso sim, finaliza o amor.


Havia um tempo em que os humanos eram completos, seres unidos pela pelvis que caminhavam pelo mundo em pares, completos e inseparáveis. Debochando dos deuses sobre a grandiosidade de sua completude em frente a todas as outras criaturas e às divindades, acenderam a ira dos deuses que lhes amaldiçoaram e lhes separaram para sempre tendo então cada um que vagar por toda a vida em busca de seu par. Ainda assim, muitas vezes, quando se encontram, estes pares não se reconhecem mais, se estranham e se separam novamente. Esta é a dor que a raça humana tem que carregar para sempre, de geração a geração, a incompletude. E então, a história se repete, o amor que amamos nos abandona no altar, no porto, no aeroporto, no hospital, no cemitério... sempre há um motivo conhecido para se deixar e um lugar. A verdade é que a história se repete e pensando nisso descobri que não há amor original. Nós é que pensamos que o nosso amor é único com sonhos de que ele pode ser vivido até o fim. O nosso amor é só uma cópia de todos os amores já amados, a nossa história é só mais uma história de amor que termina mal, como todas as outras, de um jeito ou de outro... trágica é a vida!


Em conclusão desse devaneio meu, eu vejo que eu não vivo o meu amor, eu vivo o amor dos outros, eu repito a história dos outros, e tantas outras histórias como a minha eu já encontrei no caminho. E aí eu me pergunto, se já era assim, pra que chorar!? Eu já sabia que o fim era fatal e pior, eu já dizia que o fim seria assim. O que eu ainda não descobri é se realmente vale a pena ou se nós apenas vivemos estes amores da mesma forma como temos nossos trabalhos, nossos estudos, nossos afazeres...Diga-me você... e aí? Vale a pena?


Vanessa Emmanuelle.

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